quarta-feira, 11 de julho de 2007




História: A Árvore Generosa

(Shel Silverstein – traduzido por Fernando Sabino)
Era uma vez uma árvore que amava um menino.
E todos os dias o menino vinha, juntava suas folhas e com elas fazia coroas de rei;
Com elas brincava de rei pela floresta. Subia em seu grosso tronco, balançava-se em seus galhos, comia suas maças, e brincavam de esconder.
Quando ficava cansado, o menino repousava a sua sombra fresquinha.
O menino amava a árvore profundamente.
E a árvore era feliz.
Mas, o tempo passou, o menino cresceu, e a árvore muitas vezes ficava sozinha.
Um dia o menino veio e a árvore disse:
– Menino venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos, comer minhas maçãs, repousar à minha sombra, e ser feliz.
– Estou grande demais para brincar. Quero comprar muitas coisas, eu quero me divertir e preciso de dinheiro.
– Você tem algum dinheiro que possa me oferecer ?
– Sinto muito, mas não tenho dinheiro. Tenho apenas minhas folhas e tenho minhas maçãs. Mas leve as maçãs, menino. Vá vendê-las na cidade. Então, terá o dinheiro, e você será feliz.
E assim, o menino sumiu por muito tempo, e a árvore ficou tristonha outra vez.
Um dia o menino veio e a árvore estremeceu, tamanha a sua alegria, e disse:
– Venha menino, venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos e ser feliz.
– Estou muito ocupado para subir em árvores.
– Eu quero uma coisa para me abrigar; eu quero uma esposa, eu quero ter filhos, pra isso é preciso que eu tenha uma casa.
– Você tem uma casa para me oferecer ?
– Eu não tenho casa. A casa em que moro é está floresta. Mas corte meus galhos e faça a sua casa , e seja feliz.
O menino depressa cortou os galhos e levou-os embora pra fazer uma casa.
E a árvore ficou feliz.
O menino ficou longe por um longo, longo tempo, e no dia que voltou a árvore ficou alegre, de uma alegria tamanha que mal dia falar.
– Venha, venha meu menino, venha brincar.
– Estou velho para brincar, e estou também muito triste.
– Eu quero um barco ligeiro que me leve pra bem longe. Você tem algum barquinho que possa me oferecer ?
– Corte meu tronco e faça seu barco. Viaje pra longe e seja feliz.
O menino cortou o tronco fez um barco e viajou. E a árvore ficou feliz...
Muito tempo depois o menino voltou.
– Desculpe, menino. Não tenho mais nada pra lhe oferecer. As maçãs já se foram.
– Meus dentes são fracos demais para maçãs.
– Já se foram meus galhos pra você balançar.
– Já não tenho mais idade pra me balançar.
– Não tenho mais tronco pra você subir.
– Estou muito cansado e já não sei subir.
– Eu bem que gostaria de Ter qualquer coisa pra lhe oferecer. Mas nada me resta, e eu sou apenas um toco sem graça, desculpe...
– Já não quero muita coisa. Só um lugar sossegado onde possa me sentar, pois estou muito cansado.
– Pois bem ! Eu sou apenas um toco, mas um toco é útil pra sentar e descansar. Venha menino, depressa, sente-se e descanse.
Foi o que o menino fez. E a árvore ficou feliz.

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