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terça-feira, 21 de agosto de 2007


O TESOURO ESCONDIDO

Certa vez, numa pequena cidade, morava um homem que trabalhou a vida inteira para amontoar riquezas. Assim procedia, afirmava ele, para deixar os filhos amparados após sua morte e sem necessidade de trabalhar para garantir o próprio sustento.Para isso, não mediu esforços. Vivia de forma muito simples, onde faltava, não raro, até o necessário, no afã de economizar cada vez mais.
A família não tinha qualquer conforto. A esposa trabalhava duro o dia inteiro e, às vezes, sentindo-se cansada pedia:— Manoel, sinto-me doente, enfraquecida, tenho dores pelo corpo todo. Poderíamos arrumar alguém que me ajudasse no serviço doméstico?
— De jeito nenhum, Alzira. Essas empregadas cobram uma fortuna! Não podemos dispor desse dinheiro.De outras vezes era a filha que, necessitando comprar roupas ou calçados, atrevia-se a pedir dinheiro ao pai. Manoel retrucava colérico:
— Você pensa que dinheiro nasce em árvores? Não posso pagar os seus luxos.E a filha afastava-se, tristonha e desanimada, sonhando com o dia em que pudesse sair de casa para ter uma vida melhor.Ou então era o filho que precisava comprar material escolar, e encontrava o pai irredutível:
— No começo do ano já comprei tudo o que você precisava. Não gastarei mais um centavo sequer!E o filho, revoltado, saía remoendo sua decepção.E assim ele agia com todos. Os pedintes que vinham bater-lhe à porta suplicando um prato de comida, Manoel expulsava sem piedade.
Quando os responsáveis por alguma instituição beneficente se atreviam a pedir-lhe ajuda para seus serviços de caridade junto aos mais necessitados, Manoel relatava uma série de dificuldades com a família, gastos excessivos, contas inesperadas, e concluía:
— Infelizmente, não posso ajudar!
O tempo passou. Manoel conseguiu juntar uma imensa fortuna que guardava sempre, avaramente. Como não confiasse em ninguém, nem mesmo numa agência bancária, a escondeu dentro do seu velho colchão. Queria tê-la sempre perto de si, sob sua vista.A esposa reclamava de dores nas costas, sugerindo que trocassem pelo menos o colchão, velho e remendado, já sem condições de uso. Manoel, raivoso, de dedo em riste ordenava:
— Jamais! Não mexa no “meu” colchão. Gosto dele do jeito que está!O filho, não suportando mais tanta miséria, saiu de casa indo morar com um amigo e se desencaminhou, tornando-se um alcoólatra. A filha casou-se com o primeiro homem que surgiu em sua vida, para poder se livrar da situação de pobreza, e não era feliz. Apenas Alzira continuava com o marido, visto não ter a quem recorrer ou para onde ir.Certo dia, Manoel sentiu-se mal.
Socorrido, foi levado para o hospital, aonde veio a desencarnar. Alguns dias depois, Alzira e os filhos reuniram-se para resolver o que fazer com os pertences do falecido Manoel.A primeira coisa que decidiram foi colocar fogo no colchão que ele tanto prezava. Os filhos levaram-no para o quintal, estranhando o peso, mas jamais poderiam imaginar que ali estivesse depositado um imenso tesouro.
E Manoel, do outro lado da vida, desesperado, não pode impedi-los. Sob terrível aflição, viu as chamas consumirem o esforço de toda uma vida.Só então Manoel lembrou-se das palavras de Jesus: “Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os comem e onde os ladrões os desenterram e roubam; acumulai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os comem...”O tesouro dele não havia sido roubado por ladrões, ou consumido pela ferrugem ou pelos vermes, mas devorado pelas chamas.
O pobre homem percebeu que tinha perdido grande parte da existência acumulando bens materiais que nem a ele mesmo serviram. Vivera de forma miserável, privara-se de conforto, de bem-estar e esgotara-se no trabalho. E, o que era pior, com seu comportamento, perdera o amor da família.
Quanto aos tesouros do céu, que são imperecíveis, ele não se preocupara em ajuntar. Com tristeza percebia agora o quanto poderia ter feito pelos filhos, dando-lhes uma vida confortável, facilitando-lhes a educação e preparando-os para serem cidadãos dignos, trabalhadores e úteis à sociedade.
Manoel, pela primeira vez, lembrou-se de orar a Deus. E, profundamente arrependido, suplicou ao Senhor lhe concedesse nova oportunidade de voltar a Terra, num novo corpo, para reparar os danos que havia cometido.

Leon Tolstoi(Psicografada por Célia X. de Camargo, em 19.6.1998.)

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

DEUS VAI NOS AJUDAR! (Providencia Divina)
Celia Xavier Camargo

A família de Dorinha saiu do sítio onde moravam porque não havia mais condição de ficar ali.O sítio era longe da cidade, e toda a alimentação vinha da terra. Assim, comiam o feijão, o milho, a mandioca, as vagens, os tomates, as cenouras e as verduras que seu pai plantava na horta.Porém viera uma grande seca e todas as plantações tinham morrido. Até as árvores frutíferas não resistiram porque o riacho que banhava a propriedade e a fonte que lhes fornecia a água para beber, também tinha secado. Então, nem água tinham.Sem ter o que comer e sem água para beber, depois de muito pensar, o pai de Dorinha resolveu abandonar a roça e ir para a cidade.— Deus vai nos ajudar! — dizia Dorinha.Fizeram o trajeto de carroça, andando por muitas léguas com sol forte, sem água e com muita fome. Dorinha não reclamava para não preocupar seus pais. Porém, deixar o sítio, onde tinha nascido e onde fora tão feliz, para ir morar na cidade onde não conhecia ninguém e onde não tinham onde ficar, a deixava com vontade de chorar. Com o coração apertado de tristeza, intimamente suplicava ao Alto que não os abandonasse.Era de tarde quando chegaram à cidade. João parou para descansarem um pouco. Logo apareceu um moço e, ao ver João perguntou:— Pelas coisas que traz na carroça, vejo que estão de mudança. Conhecem nossa cidade?João, agradecido pela atenção, respondeu:— Moço, nós acabamos de chegar. Você pode me dizer onde posso arrumar uma casa para ficar com a família? Penalizado, o rapaz considerou:— Arrumar uma casa assim, de uma hora para outra, é difícil. Porém, você pode ir até o albergue noturno. Lá eles recebem pessoas que não têm onde dormir.O moço indicou à João como chegar lá e, meia hora depois, Dorinha e seus pais estavam defronte do Albergue Noturno. Foram atendidos prontamente. Depois de responderem algumas perguntas, foram jantar. A alegria era tanta que não cabiam em si de contentes. Fazia algum tempo que não tinham uma verdadeira refeição.— Não disse que Deus iria nos ajudar?Antes de dormir, Dorinha agradeceu a Jesus pela ajuda que estavam recebendo. No dia seguinte, após tomar café, ela foi dar um passeio. Logo, encontrou um bando de crianças que caminhavam numa mesma direção fazendo a maior algazarra. Até sem perceber, acompanhou-as. Ao aproximar-se de uma construção grande, viu que as crianças pararam. Logo, as crianças começaram a entrar e Dorinha foi empurrada para dentro do salão.Uma das meninas olhou para ela e sorriu. Dorinha atreveu-se a lhe perguntar:— O que está acontecendo?A garota respondeu, satisfeita:— Pois não sabe? Haverá distribuição de brinquedos e doces! Dorinha estava surpresa. Mais do que isso: encantada!— Mas por quê?— Hoje é o Dia das Crianças! — respondeu a menina, com enorme sorriso estampado no rosto. Dorinha arregalou os olhos. Dia das Crianças? Nem sabia que existia isso! No sítio, nunca tinha ouvido falar. Era uma linda festa com música, teatro e brincadeiras. Depois, duas moças distribuíram bolo, um saco com balas e doces, e um pacote de presente:— Obrigada! — disse Dorinha.— Agradeça a Jesus. Dorinha, ansiosa, abriu o pacote e viu que era uma bonequinha. A primeira boneca que Dorinha ganhava de presente em sua vida! Sempre quisera ter uma, mas seu pai não podia comprar. Então, com o coração cheio de alegria, Dorinha agradeceu a Jesus pelas coisas boas que lhe tinha mandado. Voltou para o albergue e contou aos pais o que tinha acontecido. Seu pai também contou que tinha encontrado um serviço numa chácara e teriam uma casa para morar. Abraçaram-se felizes e Dorinha falou:— Tinha certeza que Deus ia nos socorrer. Tenho orado e sabia que o Pai não nos deixaria ao desamparo. A mãe de Dorinha chorava de emoção. João considerou:— É verdade, minha filha. Deus é nosso pai e sempre nos socorre nas horas de dificuldade. Diz a sabedoria popular que, quando Ele fecha uma porta, abre uma janela.

A FESTA DE ANIVERSÁRIO (Egoismo)
Celia Xavier Camargo

O aniversário de Tiago se aproximava, e, ansioso, ele só pensava na festa que sua mãe prometera fazer. Ele completaria sete anos e, com sua letra, fez a lista de convidados, pensando nos presentes. Assim, colocou apenas colegas mais ricos. Sua mãe, Luísa, observava sem dizer nada. Tiago queria a casa bonita, enfeitada para a festa. Além de cachorro-quente, teria docinhos, um lindo bolo, sucos e refrigerantes. Dois dias antes do aniversário, tocaram a campainha. Eram uns parentes que Tiago não gostava muito. Luísa, ao ver a prima e os filhos do lado de fora, gentilmente disse:— Berta, que prazer! Entre. Como vão, crianças? — cumprimentou os gêmeos Roberto e Ricardo, Vinícius e Ângela, que tinham sete, seis e cinco anos de idade. — Luísa, posso falar com você? — perguntou humilde.— Claro! Sente-se, Berta. Tiago olhava os intrusos com cara feia. Não gostava deles. Berta era uma prima pobre, sempre pedindo ajuda, e os filhos andavam mal arrumados, com sapatos velhos e furados. — Tiago, sirva às crianças um pedaço daquele bolo de chocolate que fiz ontem e o suco que está na geladeira. De má-vontade, Tiago levou os primos para a cozinha. Quando voltaram, ouviu Berta dizer, comovida:— Obrigada, Luísa. Não sei o que faria sem a sua ajuda. Nossa situação é realmente difícil. Com meu marido doente, sem poder trabalhar, nos falta até o necessário.— Não me agradeça, Berta. Somos parentes e devemos nos amparar mutuamente. Tenho certeza de que você faria o mesmo por mim.Após se despedirem das visitas, Tiago ergueu a cabeça, orgulhoso:— Os primos ficaram admirados ao ver as balas e os docinhos que a senhora fez. Eu contei que eram para o meu aniversário!— Ah! E você os convidou para a sua festa?— Claro que não, mamãe! Eles nem poderiam me dar presente! Além disso, não têm roupas de festa. A mãe olhou o filho, chamou-o para perto de si, colocou-o no colo com carinho e disse:— Sabe, meu filho, Jesus ensinou certa vez que quando a gente fosse dar uma festa, deveria convidar as pessoas pobres e necessitadas, que não pudessem nos retribuir a gentileza, porque o Pai do Céu nos retribuiria. — Então, não posso convidar meus amigos? — resmungou o garoto, descontente. — Certamente que Jesus não quis dizer isso. Ele quis ensinar que você pode convidar quem quiser, mas não deve se esquecer daqueles que nada têm, que são os pobres, os doentes, os aleijados. Esses são os mais necessitados. — Ah!... E por quê? — indagou o menino, surpreso. — Bem. E se a situação fosse diferente? Isto é, se nós estivéssemos na posição de Berta, e ela na nossa: como você, Tiago, gostaria que a família da Berta agisse conosco, se fossem dar uma festa? Tiago pensou...pensou...e, depois respondeu:— Eu ficaria muito contente se fosse convidado para essa festa.— Isso mesmo, meu filho. Por isso Jesus ensinou que, em caso de dúvida, devemos sempre nos colocar no lugar da outra pessoa, para saber como agir com acerto. Na manhã seguinte, Tiago acordou decidido. Antes de ir para a escola perguntou:— Mamãe, depois da aula, nós podemos ir à casa dos meus primos? Acho que eu tenho roupas que servem para os primos e não me importo em dá-las. Afinal, tenho tantas! — Fico satisfeita, Tiago. As suas roupas servem, sim. Vocês têm mais ou menos o mesmo tamanho. E se faltar para algum deles, especialmente para Ângela, nós compraremos.Tiago mostrou-se satisfeito e animado.Depois do almoço, separaram as roupas e calçados de Tiago, e ele fez questão de pegar peças boas e novas. Depois, compraram o restante, um vestido e sapatos para Ângela. Em seguida, foram até a casa de Berta. — Que prazer recebê-los em nossa moradia, Luísa. Meninos, temos visitas! As crianças entraram na sala, curiosas, e pararam constrangidas ao ver Tiago e a mãe. O primo sempre as tratava muito mal. Nesse dia, porém, foi diferente. Tiago disse:— Vim convidar vocês para a minha festa de aniversário.Berta, surpresa, timidamente respondeu:— Agradeço-lhe, Tiago. Porém, é impossível. Meus filhos não têm roupas para ir a uma festa. Tiago pegou as sacolas e disse eufórico:— Pois agora têm! Trouxemos algumas roupas e espero que sirvam. Aqui está: Ricardo, Roberto, Vinícius e Ângela — e entregou os pacotes com o nome de cada um. Prendendo a respiração, a menina bateu palmas:— Até para mim? Ah! Que bom! Que bom! Luísa pegou um outro pacote e o entregou para Berta:— Os meninos não podem ir sozinhos, Berta. Trouxe umas roupas para você também. Espero que sirvam. Com os olhos cheios de lágrimas, Berta murmurou:— Luísa, nem sei como lhe agradecer. Ainda ontem me ajudou tanto. E hoje trouxe todos esses presentes. Como poderei lhe pagar, prima, tanta gentileza? — Indo à festa de Tiago. Teremos muito prazer em recebê-los em nossa casa, acredite. No dia seguinte à tarde, com a residência cheia de balões coloridos, Tiago recebeu todos os seus amigos, colegas de escola e os primos. Com satisfação, Luísa notou que ele convidara também os outros colegas da escola.Tiago estava alegre e feliz, e todos perceberam. Alguma coisa nele mudara. Não era mais aquele garoto arrogante e orgulhoso. Era um menino como os outros, que brincava com todos sem fazer qualquer diferença entre as crianças. TIA CÉLIA

O EGOÍSMO
Você sabe, meu amiguinho, o que é egoísmo?Egoísmo é quando desejamos tudo para nós, só enxergamos nossos próprios interesses e pensamos unicamente em nossa pessoa. Em suma, só amamos a nós mesmos.O contrário de egoísmo é altruísmo, quando a gente aprende a pensar mais nos outros e menos em nós.A pessoa que é egoísta não ama ninguém a não ser a si própria.Jesus nos deixou a lição do amor, afirmando que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”. Então, não é preciso deixar de nos amar. É através desse amor que cuidamos da nossa saúde, bem-estar, conforto, alegria.Mas não podemos pensar só em nós mesmos. O mundo é composto por muita gente e nos cabe pensar um pouco nos outros. Assim, é preciso deixar que nosso coração se enterneça diante de uma criança com fome, um andarilho com frio, um velhinho que não tenha onde morar, um parente ou um coleguinha que precise de ajuda, e tantas outras coisas. Quando Jesus ensinou que “devemos fazer ao próximo tudo o que gostaríamos que os outros nos fizessem”, nos deu a medida certa para aprendermos como agir.É só nos colocarmos no lugar da outra pessoa e perguntar:— Se eu estivesse no lugar dela, e ela no meu lugar, como gostaria que ela agisse para comigo? Então, vamos perceber, sem sombra de dúvida, que desejamos o melhor para a outra pessoa, porque desejamos o melhor para nós.É assim que Jesus nos orienta para sermos generosos, para darmos sem esperar retribuição, para perdoarmos sempre as ofensas que porventura nos tenham feito. Enfim, para sermos caridosos.

A CIGARRA E A FORMIGA
Tema : trabalho


































































quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O CORVO QUE QUIS IMITAR A ÁGUIA
Tema: Inveja
























































O RATO DO CAMPO E O RATO DA CIDADE

Da para trabalhar com o que realmente é necessário em nossas vidas...
























































quarta-feira, 11 de julho de 2007




História: A Árvore Generosa

(Shel Silverstein – traduzido por Fernando Sabino)
Era uma vez uma árvore que amava um menino.
E todos os dias o menino vinha, juntava suas folhas e com elas fazia coroas de rei;
Com elas brincava de rei pela floresta. Subia em seu grosso tronco, balançava-se em seus galhos, comia suas maças, e brincavam de esconder.
Quando ficava cansado, o menino repousava a sua sombra fresquinha.
O menino amava a árvore profundamente.
E a árvore era feliz.
Mas, o tempo passou, o menino cresceu, e a árvore muitas vezes ficava sozinha.
Um dia o menino veio e a árvore disse:
– Menino venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos, comer minhas maçãs, repousar à minha sombra, e ser feliz.
– Estou grande demais para brincar. Quero comprar muitas coisas, eu quero me divertir e preciso de dinheiro.
– Você tem algum dinheiro que possa me oferecer ?
– Sinto muito, mas não tenho dinheiro. Tenho apenas minhas folhas e tenho minhas maçãs. Mas leve as maçãs, menino. Vá vendê-las na cidade. Então, terá o dinheiro, e você será feliz.
E assim, o menino sumiu por muito tempo, e a árvore ficou tristonha outra vez.
Um dia o menino veio e a árvore estremeceu, tamanha a sua alegria, e disse:
– Venha menino, venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos e ser feliz.
– Estou muito ocupado para subir em árvores.
– Eu quero uma coisa para me abrigar; eu quero uma esposa, eu quero ter filhos, pra isso é preciso que eu tenha uma casa.
– Você tem uma casa para me oferecer ?
– Eu não tenho casa. A casa em que moro é está floresta. Mas corte meus galhos e faça a sua casa , e seja feliz.
O menino depressa cortou os galhos e levou-os embora pra fazer uma casa.
E a árvore ficou feliz.
O menino ficou longe por um longo, longo tempo, e no dia que voltou a árvore ficou alegre, de uma alegria tamanha que mal dia falar.
– Venha, venha meu menino, venha brincar.
– Estou velho para brincar, e estou também muito triste.
– Eu quero um barco ligeiro que me leve pra bem longe. Você tem algum barquinho que possa me oferecer ?
– Corte meu tronco e faça seu barco. Viaje pra longe e seja feliz.
O menino cortou o tronco fez um barco e viajou. E a árvore ficou feliz...
Muito tempo depois o menino voltou.
– Desculpe, menino. Não tenho mais nada pra lhe oferecer. As maçãs já se foram.
– Meus dentes são fracos demais para maçãs.
– Já se foram meus galhos pra você balançar.
– Já não tenho mais idade pra me balançar.
– Não tenho mais tronco pra você subir.
– Estou muito cansado e já não sei subir.
– Eu bem que gostaria de Ter qualquer coisa pra lhe oferecer. Mas nada me resta, e eu sou apenas um toco sem graça, desculpe...
– Já não quero muita coisa. Só um lugar sossegado onde possa me sentar, pois estou muito cansado.
– Pois bem ! Eu sou apenas um toco, mas um toco é útil pra sentar e descansar. Venha menino, depressa, sente-se e descanse.
Foi o que o menino fez. E a árvore ficou feliz.